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O banco central do Brasil manteve sua principal taxa em uma mínima histórica. Entretanto, alertou também dos riscos crescentes para a inflação em meio à dúvidas sobre a política econômica após as eleições presidenciais e disputas comerciais globais.

Na quarta-feira o conselho do banco, liderado pelo seu presidente Ilan Goldfajn, deixou a taxa de referência Selic inalterada em 6,5%, um estímulo que parecia necessário dado o crescimento lento da economia.

“O estímulo começara a ser retirado gradualmente se a previsão para a inflação na perspectiva relevante para a condução da política monetária e/ou seu saldo de risco piorar,” disse o banco central na declaração que acompanhou sua decisão.

Além do agravamento da guerra comercial e as preocupações sobre os mercados emergentes, os riscos para a reforma estrutural também aumentaram e afetaram as expectativas dos investidores, disse o banco. Todo os candidatos a favor do mercado estão ganhando por uma ampla margem na pesquisa de opinião antes das eleições presidenciais de outubro.

Um ganhador não comprometido com as reformas pressionaria “a moeda para o pior, fazendo o banco central elevar a Selic antes do esperado,” disse Newton Rosa, ecomista chefe na Sul America Investimentos. “Talvez ainda este ano, após as eleições.”

A moeda do Brasil encolheu cerca de 20% do seu valor este ano. Entretanto, ao contrário dos bancos central na Turquia e Rússia que subiram as taxas de juros após uma venda em massa nos mercados emergentes, Goldfajn manteve até agora inalterada.

Os setores industrial, de varejo e serviços, contraíram-se recentemente, sugerindo que a demanda tem sido leve antes da controversa eleição presidencial, na qual poucos candidatos apresentaram medidas convincentes para discutir o imenso furo orçamentário do país.

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Durante seu mandato, Goldfajn ganhou a aprovação dos investidores por fazer a comunicação do banco central mais transparente, controlando a inflação e levando a Selic à um nível recorde dos 14,25%. Ele tem se tornado mais cuidadoso nos últimos meses uma vez que os formuladores de política deliberam sobre uma economia crescentemente fraca e uma inflação abaixo da meta por um lado e do outro, uma venda em massa da moeda que estancaria os aumentos de preços ao longo do caminho.

 

De acordo com uma pesquisa do banco centra, é esperado agora que a economia do Brasil cresça 1,4% em 2018, abaixo da estimativa de 2,7% do início do ano,

Pela primeira vez este ano, o banco central incluiu uma pergunta sobre a fonte da incerteza do mercado financeiro em uma pesquisa enviada para os analistas antes de cada decisão da principal taxa. Particularmente, perguntou aos economistas se eles acham que a volatilidade recente pode ser mais atribuída aos fatores internacionais ou internos.

Enquanto isto, a corrida presidencial no país está ficando polarizada entre o formulador de extrema direita, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, que é o sucessor escolhido do ícone da esquerda, Luiz Inacio Lula da Silva.

Enquanto o Partido dos Trabalhadores de Haddad preocupou os investidores com promessas de desfazer medidas de austeridade, o mercado financeiro tem lentamente acolhido Bolsonaro, cujo principal conselheiro apoia empresa de livre mercado. Se nenhum dos candidatos ganhar mais de 50% dos votes em 07 de outubro, haverá segundo turno em 28 de outubro.

Apesar da queda da moeda, os preços ao consumidor do Brasil caíram em agosto em meio à uma queda nos custos de alimento e transporte. Os analistas pesquisados pelo banco central veem a inflação abaixo ou na meta até 2020.

Se esta previsão mudar, o banco central indicou que está pronto para agir, disse Isabela Guarino, que é uma economista na XP Gestão de Recursos, uma administradora de fundos com sede em São Paulo.

“O destaque é que há uma indicação de que eles poderão aumentar a taxa de juros se o saldo de riscos piorar,” disse Guarino.

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